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Data de Publicação 24/03/2020 - 14:45 Atualizado em 24/03/2020 - 15:00 702 visualizações

PDA 2020: Unipampa considera período de licença maternidade na análise do currículo das pesquisadoras

Medida vale para os editais do Plano de Desenvolvimento Acadêmico 2020 nas quatro categorias

Neste ano, a Universidade Federal do Pampa (Unipampa) passa a considerar, no edital do Programa de Desenvolvimento Acadêmico (PDA), a licença maternidade/adotante na análise curricular de todas as categorias: ensino, pesquisa, extensão e gestão. A institucionalização desta política vai ao encontro de uma série de ações propostas com o objetivo de minimizar o impacto da maternidade na carreira científica das mulheres.

Na Unipampa, essas medidas começaram a ser adotadas em 2019, ano em que a Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (Proppi) incluiu nos editais PIBIC/PIBIT/CNPq e PROBIC/PROBIC/FAPERGS a análise de um ano a mais dos currículos das pesquisadoras que estiveram em licença maternidade no período considerando pelo edital. Na prática, isso quer dizer que, caso a pesquisadora tivesse sido mãe nos últimos cinco anos, seu currículo seria avaliado considerando os últimos seis anos.

Para a professora da Unipampa, Pâmela Carpes, “o reconhecimento do impacto da maternidade na carreira das mulheres que atuam nos diferentes âmbitos na nossa universidade é importante, e permite uma concorrência mais justa entre os pares, já que as pesquisas mostram que a queda na produtividade vivenciada por estas mulheres que são mães não se reproduz na ausência da maternidade”.

O pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, Fabio Leivas, ressalta que a maternidade não é o único aspecto que influencia a carreira científica das mulheres. “Manter sempre a discussão acerca das políticas de gênero é um aspecto muito importante”, afirma. Sobre a política adotada pela Instituição, o pró-reitor destaca: “a Unipampa com essa ação ajuda na construção de uma sociedade mais justa e equitativa”.

Segundo a pesquisadora, a discussão sobre o tema ocorre há bastante tempo, em todo o mundo. “Alguns países têm políticas especificamente delineadas para tentar contribuir para que a maternidade não impacte tanto a carreira das cientistas”, explica Pâmela Carpes.

 

Saiba mais sobre o assunto e conheça as pesquisas do Grupo Parent in Science

No Brasil, a discussão sobre a maternidade – e a paternidade – no universo da ciência passou a ganhar mais atenção nos últimos anos, por meio do trabalho do grupo Parent in Science, do qual participam duas professoras da Unipampa. Na análise preliminar de alguns dos dados coletados pelo grupo é possível perceber que no Brasil o impacto da maternidade na produtividade das cientistas brasileiras é muito grande.

Nos gráficos abaixo observa-se a taxa de publicação/ano das pesquisadoras brasileiras que responderam ao questionário do grupo Parent in Science.

Taxa de publicação/ano das pesquisadoras brasileiras que responderam ao questionário do grupo Parent in Science

Os professores analisam, na sequência, o que os dados dos gráficos representam:

No primeiro gráfico, a linha vermelha representa o nascimento do filho. Observa-se, nos primeiros pontos (anos) dos dois gráficos, que ao longo do tempo/desenvolvimento da carreira, a taxa de publicação/ano das pesquisadoras vem crescendo. No entanto, no caso das pesquisadoras com filhos (primeiro gráfico), este crescimento é interrompido após o nascimento do bebê. Mais que isso, após o filho, a cientista experiencia uma queda na sua produtividade que vai muito além do tempo de licença maternidade, enquanto estava ausente do laboratório ou espaço de pesquisa. Somente após aproximadamente três anos do nascimento do filho esta pesquisadora começa a retomar o crescimento de sua produção. Uma queda de produtividade de tal tamanho não é vivenciada em nenhum ponto da carreira de pesquisadoras sem filhos.

A discussão iniciada pelo grupo Parent in Science mobilizou muitos cientistas brasileiros, e também agências de fomento e instituições de ensino superior. Em 2019, agências como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro passaram a incluir a consideração de um ano a mais por filho na análise do currículo das cientistas mulheres que se tornaram mães no período de análise curricular.

No mesmo período, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) divulgou nota afirmando que incluirá no Currículo Lattes um campo para informar licença maternidade, paternidade e/ou adotante, a fim de que os comitês possam levar isso em consideração durante a análise de submissões a editais de fomento. Além da Unipampa, Instituições de Ensino Superior como a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) também incluíram políticas como esta em seus editais internos de distribuição de bolsas de iniciação científica.

 

Com informações dos professores Pâmela Carpes e Fabio Leivas

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